quinta-feira, 10 de dezembro de 2009
Texugo
Na primeira situação Texugo surgiu como o apelido carinhoso de um grande amor de uma amiga, falecido recentemente, uma perda difícil e muito marcante para ela. Na outra, um amigo falou-me da existência de um salão de barbeiro na Inglaterra, que cobra 3000euros por um simples barbear e tem fila para atendimento! E pasmem, sabem do que é feito o pincel de barbear? Isto mesmo! Pelo de texugo!
O pelo de texugo não agrega umidade e é muito suave, é utilizado pelos grandes pintores para suavizar traços em suas telas em técnicas especiais. Ele só perde em qualidade para o pelo humano. Você não imagina um pincel de barbear com pelos humanos e eu também não! Se eu soubesse, nem de graça iria me barbear com um pincel assim.
O texugo é um animal que vive em texugueiras, uma espécie de labirinto de túneis e tocas que formam galerias, que constituem o território de cada comunidade, constituída de 6 a 25 indivíduos. No seu interior são construídos ninhos muito fofos de musgos e vegetais secos. A texugueira é demarcada por latrinas ou buracos com dejetos, que limita os espaços territoriais.
O texugo é um animal muito corajoso e feroz, enfrentaria um urso para se defender e ao seu território, provavelmente morreria em sua intenção, mas faria um bom estrago no urso. É por isto que os ursos dificilmente atacam os texugos.
Por outro lado, está em extinção em alguns lugares da Europa por conta dos caçadores de raposas, que jogam gases em suas tocas. As raposas saem e são caçadas. Os texugos vão para o fundo da toca nos seus aconchegantes ninhos, onde não são apanhados, mas morrem asfixiados.
Esqueci completamente do texugo até à tarde de quinta-feira, quando liguei a TV corporativa para assistir uma palestra sobre Gestão do Conhecimento, onde um brasileiro de origem oriental falava sobre a diferença de aprendizado do conhecimento explícito e tácito.
O conhecimento explícito é obtido de forma evidente e lógica, pode ser descrito através de informações que podem ser processadas e armazenadas como conhecimento pelo cérebro.
O conhecimento tácito não dá para ser verbalizado, está dentro das pessoas, é proveniente de algo aprendido pela experiência, sensação e, principalmente, pela convivência.
O grande desafio das empresas que pensam em gerir seus conhecimentos é descobrir como adquirir competências que dependem desta segunda forma de conhecimento, o tácito!
O aprendizado do pensamento estratégico é um bom exemplo disto. O principal objetivo de uma estratégia é desenvolver e perenizar uma empresa. Uma má estratégia pode levá-la a falência, ou seja, a morte empresarial.
Para desenvolver o pensamento estratégico, um conhecimento tipicamente tácito, o palestrante apresentou um método de espelhamento do pensamento através de Mapas de Conhecimento e de Intencionalidade. Estes mapas permitem “ver” o pensamento estratégico como num “espelho”, podendo-se reconhecer se ele é algo novo ou um pensamento arquetípico, um modelo mental fixo, portanto conhecido e não inovador, provavelmente ineficiente ao ser aplicado por já ser de domínio público.
Para o apresentador, estratégia é uma escolha única, é o resultado de um processo de decisão cujas conseqüências só serão conhecidas após a sua implementação. Como este tipo de pensamento, por si só, não resolve a realidade, é preciso que ele seja feito para se saber se a solução foi adequada.
Assim, o aprendizado da estratégia, principalmente a estratégia nova, vem muito do fazer ela acontecer, sentir e perceber seus desdobramentos, para depois pensar sobre ela. Tudo isto feito de forma coletiva e compartilhada, conforme se caracteriza um conhecimento tácito.
Não sei por que ao olhar o desenho dos Mapas apresentados lembrei-me do labirinto de túneis e galerias que forma uma texugueira. Lá veio o texugo de novo, um pequeno estrategista feroz que um urso não gosta de enfrentar.
Nascia assim uma metáfora, que compartilho no sentido de aprimorá-la, já que a metáfora é um dos melhores caminhos de representação do próprio conhecimento tácito.
Não pude deixar de pensar no primeiro barbeiro que, provavelmente olhando os grandes artistas, montou um pincel de barba com pelos de texugo, trazendo um refinamento à arte de um bom barbear. Ou será que foi ao contrário, um "da Vinci", aprimorando suas técnicas de pintura após cortar sua barba com o barbeiro do Papa.
Pensei também na estratégia inovadora de marketing do salão que cobra 3000 euros por uma barba, com refinamentos que vão além do pincel de texugo, trazendo um prazer físico, psicológico e até espiritual aos seus clientes, que de lá saem sentindo-se como se fossem reis, ou pelo menos com o mesmo status em termos de barbear.
Lembrei de minha infância, da barbearia do Seu Benedito, onde havia um quadrinho escrito: fiado só amanhã! Ele era um comunista convicto, que foi preso em 64 e quase deportado! Não por comer criancinhas, mas por falar abertamente em divisão de riquezas através do Estado e logo depois de tentar cobrar a conta pendurada de um freguês militar reformado e recalcado. Com certeza, se vivo, ele estaria perplexo com os 3000 euros por barba.
O uso do pincel de texugo tanto para barbas, como para pinturas, revela o desenvolvimento de um conhecimento tácito. Só a experiência trouxe a certeza de que ele era melhor para barbear e suavizar traços em pinturas!
Refinar o prazer de fazer uma barba, de beber um bom vinho francês ou uma cachaça de salinas de 8 anos, de comer um bom bacalhau “gadus morrua” de 10 cm de espessura ou um conchilhone de camarão, fazem “parte” da parte agradável de se aprender um conhecimento tácito.
Há um outro lado que é muito mais difícil, será possível aprender a perda irreparável de um grande amor? Que cartilha fala disto? Alguns falarão da Bíblia e suas metáforas de céu e inferno. Outros trarão os Vedas com sua noção de imortalidade. O Livro dos Espíritos poderá trazer algum consolo com a possibilidade do reencontro nos planos espirituais, nos sonhos e reencarnações futuras.
Todas elas falam em vida eterna após o desenlace, entretanto, só esta última concepção religiosa admite, acredita e tem um método de comunicação entre vivos e mortos; quantas vezes ouvi dizer: ninguém voltou da morte para dizer como é que por lá! Os espíritas dizem que sim.
Sem discutir o mérito destas concepções religiosas, a morte é algo que não se deseja por princípio, sobreviver é um dos instintos básicos de qualquer espécie, talvez por isto, o suicídio seja tão combatido em quase todos os códigos morais e religiões.
Embora a morte seja algo real e duramente explícito, passível de acontecer a qualquer um que está vivo, a dor decorrente da morte de alguém muito querido é uma das realidades mais duras de se enfrentar, há uma série de mecanismos internos de defesa que não permitem aprender a lidar com ela tão somente através da razão, também não dá para simular esta experiência, apesar de todo esforço dos telejornais com suas notícias sangrentas.
Assim, lidar com a morte não faz parte do aprendizado só do conhecimento explícito, vai também além do tácito, pois o objeto amado acaba sendo como que uma parte do sujeito. Pode ser que o ser amado deixe de existir fisicamente, mas ele continua vivo dentro das lembranças, alimentados por sentimentos e emoções que fazem parte da memória atemporal, vem como algo que parece acontecer agora e assim fica difícil admitir a ausência externa definitiva de algo que pulsa internamente intensamente.
O aprendizado em lidar com a morte da pessoa amada passa necessariamente pelo aprender a se conhecer melhor, em termos de autoestima, transformação de frustrações em força, abnegação e humildade em relação ao encerramento de um ciclo.
Atinge, portanto, outros níveis como o conhecimento do próprio "self" e, para os não ateus caminha em direção ao aprendizado espiritual e cósmico, onde outros ciclos de convivência são considerados e assim cria-se a possibilidade de acessar estas fontes de consolo.
Só quem sofreu uma grande perda e aprendeu a passar pelas fases seguintes de negação, apatia e revolta, pode dizer como é difícil aprender com a dor de uma separação percebida como “eterna”.
Sabe-se que o tempo e a maturidade interna despertam lentamente as esperanças e a possibilidade de outras alternativas para a vida, devolvendo os sonhos e o querer ao enlutado, que assim pode superar a perda, transformando-a em gratidão pelos bons tempos vividos junto ao amado, enquanto ele esteve presente.
Como isto leva tempo, não adianta apressar, não é possível ensinar, pode-se dispor a ouvir, pode-se disponibilizar concepções, pode-se explicar os caminhos da superação da dor e até mesmo oferecer amor, mas só o tempo interno de auto reconhecimento, de auto motivação, ou seja, o próprio querer é que devolverão o colorido a vida, possibilitando novas intenções de relacionamento, apego afetivo e felicidade.
Para o texugo esconder-se no próprio ninho quando a fumaça chega pode ser fatal, fugir pela porta de onde vem a fumaça também poderá lhe trazer problemas. Ele tem através de suas galerias outras saídas que não usa quando os caçadores de raposa enfumaçam sua toca e o motivo é simples, atavicamente procurará a falsa proteção do ninho enfumaçado, pois seu instinto de sobrevivência desconhece as conseqüências da fumaça.
Diferente do texugo, o ser humano pode reconhecer os seus pensamentos arquetípicos, seus modelos mentais, seus instintos e dar uma resposta diferente da reativa, abandonando respostas obsoletas e utilizando novas estratégias que lhe dêem ar puro interior e lhe garantam mais e melhor vida.
Para isto é preciso abandonar a arrogância de que se tem pronta à resposta, ou que ela resolve todos os problemas. Sair da toca por outro buraco, de onde vem à brisa fresca, também pode ser perigoso, pois é preciso perceber se o caçador não está por perto montando uma estratégia de contingência para a raposa.
O uso da ferocidade que afasta o urso poderá não assustar o caçador, principalmente se ele for também um caçador de texugo, fornecedor de pelos para pincéis de artistas e barbeiros que cobram 3000 euros por uma barba!
Se a intenção do texugo é sempre de sobreviver, a do homem vai além, pois como espécie consciente tem a responsabilidade de preservar não só a sua como todas as espécies do mundo. Há armas que podem destruir tudo, mas há consciência suficiente para preservar tudo também!
O homem está jogando fumaça na toca do homem! Muitos se aninham em suas tocas e morrem! Muitos mostram suas garras, ferem e são feridos, matam e morrem!
Alguns partem muito cedo, outros tarde demais. Entretanto, muitos já estão agindo, amando e pensando o mundo, os países, as organizações e suas famílias através de
estratégias integras, onde se tornam sujeitos da responsabilidade humana, integrando em suas escolhas o cosmo, o espírito, a estética, a ética, o self, a cognição, o tácito e o próprio objeto de intenção!
PS. Dizem que o herói Wolverine (Marvel Comics), de Roy Thomas e Lein Wein, teve por inspiração o "jeitão" do Texugo e,segundo meu neto Güi, ele é o mais malvadão de todos os super heróis...
terça-feira, 20 de outubro de 2009
Ginástica Laboral
Miro (rascunho de 2006, reescrito em 20 de outubro de 2009)
Cheguei no boteco todo doÍdo, veja bem não é DOiDO... Tinha passado o final de semana com os netinhos, aquele abaixa-levanta, abaixa-levanta para pegá-los no colo, catar gravetos para a fogueira, brinquedos espalhados no chão, fez um estrago geral nos músculos e colunas.
Doía de tudo e em todos, desde o músculo ísquio até o “aquílio”, o posterior, o anterior e o interior da coxa.
Caminhava como caminhão de sítio em carreador mal feito. Meio "desguambelado", fora de centro, a frente mais para esquerda e o traseiro mais para a direita, parecendo sempre estar dobrando uma esquina e nunca conseguir ficar em linha reta.
No pescoço então, aquele torcicolo máster, de quem foi entalado com um espeto dos grandes, que ia desde a alcatra até o cupim! Da culatra até o fim...
Durante o expediente, na Ginástica Laboral para o Programa de Qualidade de Vida, uma nova professora de educação física, muito gostosa, definia o que tínhamos que fazer com uma voz firme, macia e rouca:
-Ontem trabalhamos com os membros superiores...
Rápido fiz uma brincadeira que nenhuma secretária da sala gostou:
- Já sei, só com os Superintendentes!
- Você viu, ele falou que somos inferiores!
-Brincadeirinha! Vocês mulheres é que são os membros superiores da raça humana, nós não vivemos sem Voces. Concertei rápido, antes que pensassem que era algum tipo de indiscriminação.
Ela deu uma risadinha sexy e continuou:
-Hoje vamos trabalhar com todos os membros inferiores!
Engraçadinho, empolgado, cheio de razão, respondi quase sem pensar em assédio:
-Todos os 3 membros inferiores?
Péssima inserção de humor... ela fez que não ouviu e com um certo tom que beirava a raiva, resolveu aplicar tudo que conhecia sobre Ginástica Laboral, proveniente de seu aperfeiçoamento feito em Guantânamo na ilha de Cuba, algo sobre como recuperar em uma semana, a qualidade física de antigos prisioneiros de guerra, que em seguida, seriam soltos por Obama.
Um sufoco para as minhas dores de fim de semana.
Lembrei-me do cotoco do dedo da massagista Dida, uma alemãzinha atarracada, de 1,50 metros de altura, que tem uma bronquite crônica danada, que a faz tossir entre as palavras de seu "conversê" sem fim, enquanto aplica seus dedos sem dó nos nós das costas, em uma massagem daquelas!
A lazarenta da Dida, só com aquele cotoco de dedo, que parava na falangeta, já que uma unha arruinada nos tempos de menina pobre tinha levado a ponta do polegar direito dela embora, fazia um estrago “lazarento de bão” nos torcicolos mais empedernidos.
Ela conseguia gerar 700 kV nos músculos e nervos do pescoço, parecia que os estalos correspondiam a descargas elétricas que partiam da base do cérebro e iam instantaneamente até a ponta dos mindinhos dos pés, última trincheira do ciático velho de guerra!
Sempre que doÍdo, ela me salvava com seu cotoco milagroso, principalmente, das doÍdas injeções de cataflancos nas nádegas. Para mim ela era a Santa do Cotoco, ainda não reconhecida oficialmente pelo Santo Ofício.
Cheguei no boteco reclamando de dor, contei o acontecido ao povo da mesa, dizendo que iria na Dida no dia seguinte...
-Isto é um problema de umidade... uma idade avançada... gritou um gaiato qualquer na mesa.
-É problema de DNA... Data de Nascimento Antiga... respondeu outro, com outra gracinha super conhecida.
-É problema da CIA... Carteira de Identidade Amarelada... complementou um terceiro.
Recebi com desdém as gracinhas...
Meu amigo, o consultor Anísio Santiago, com aquela tranqüilidade mineira de 8 anos de meditação em catre de bálsamo, comentou sereno:
-Não se pode colocar o Dida na frente do time...
-Que é isto? Que tem a ver a minha massagista com o goleiro da nossa seleção canarinho?
-Tudo tem uma ordem: Dida no gol, Cafu na defesa e o Cacá na frente... não se deve inverter.
-Não consegui entender a profundidade daquele conselho futebolístico. Considerei a metáfora um atentado a minha Santinha do Cotoco... que com aquela habilidade, se ela fosse proctologista, na certa faria sem dor o tal temido toque digital, pelo menos não iria tão fundo em suas prospecções prostáticas.
No dia seguinte, na hora marcada, lá estava eu na maca da casa da Dida: cânfora de lá, dedos pra cá, estalos, choques internos, croques externos nos pontos estratégicos e pimba: um alívio geral das dores finas e picantes como pimentas, que insistiam em pinicar as costas um pouco antes da bacia.
Paguei os “trintão” devidos e voltei pirilampo para minha casa, abanei até para cachorro vira-lata que abanava distraído seu rabo em uma esquina próxima. Sentia-me como ele, faminto e livre, com aquela sensação de recém escapado da carrocinha, no meu caso, livre daquela dor canina na base das costas, ou melhor, no início da bunda mesmo... e que antes corria feito um Piquezito perna abaixo e costa acima, rasgando os guarda rails de todas as minhas curvas!
Ao chegar em casa, tirei do porta-malas do carro uma super escada de 12 posições, dobrada em quatro, que havia comprado por uma pechincha pela Internet... quando fiz um esforço a mais para levantá-la, um arrepio correu meu corpo todo, travei as costas em frente ao porta-mala aberto do carro.
Quis gritar, andar, mas nada, parecia estátua de praça, com a sensação de merda de pombo escorrendo com o suor frio na testa. Com dificuldades consegui fechar o porta-malas. O celular sem bateria não funcionava mesmo ali no subsolo. O porteiro não escutaria meus gritos e eu também não queria me entregar ao ridículo da situação.
Da escada de 12 posições dobrada em quatro fiz um andador improvisado. Parecia um ferido de guerra, caminhando lentamente, centímetro a centímetro na direção do elevador, a cada passinho elevava a dor!
-Não se entregue! Não se mixe!
Mais um centímetro...
-Não se entregue! Não se mixe!
Mais um bocadinho...
-Não se entregue! Não se mixe!
A garagem ficou escura pela falta de detecção de movimentos pelos malditos sensores economizadores de energia dos prédios modernos. Mesmo assim, mantive a mente firme na meta de chegar ao elevador. A dor aumentando e eu:
-Não se entregue! Não se mije!
Eu já estava me mijando nas calças, quando lembrei de uma técnica oriental para esquecer a dor.
-É só pensar em outra coisa, desconcentrar da dor que ela passa!
Não conseguia para de pensar no elevador, então comecei a criar sobre o tema, ele é o transporte mais seguro do mundo, quem sabe um dia acabem com os acidentes de trânsito e algum DoiDO, invente um elevador horizontal que possa nos levar com segurança da casa até o trabalho e vice-versa.
Com dor tive vontade de rir de mim mesmo desta idéia maluca, mas parece que a técnica oriental funcionou pois aos trancos e barrancos cheguei finalmente ao botão de chamada do elevador. Golpei-o com a ponta do nariz por sobre a escada-andador.
Nestas horas, não se encontra ninguém para ajudar na garagem, ela fica que nem páteo de colégio particular de rico em noite de férias, um breu e um vazio de ouvir cabelo crescer em cabeça de careca a quilômetros de distância.
Meio deitado no andador improvisado, consegui abrir a porta e entra no elevador vazio. Apertei instintivamente e sem ver o 18, meu andar, pois não fazia sentido olhar para cima e eu sabia onde ele estava.
Cada balanço do elevador subindo era acompanhado por uma sinfonia de agudos do ciático que o acompanhava em sincronismo dramático!
Claudiquei até minha porta, a campainha estava estragada. Tirei a chave do bolso e abri a porta, ninguém em casa. Deixei a porta aberta e me dependurei na soleira da porta por uns instantes. Isto aliviou meu amassado ciático e me deu forças para chegar no telefone debaixo da escada.
Ainda bem que o desgraçado estava funcionando! Liguei rápido para os que podiam me acudir.
Depois de 3 caixas postais, um ocupado e uma daquelas mensagem “este telefone não existe”, consegui encontrar uma alma abençoada que me atendeu e que disse que viria me atender, tão logo terminasse o relatório de vendas e vencesse o tráfego das 18:30 para cruzar toda cidade.
Desliguei o telefone esperançoso, por questões de conforto agarrei na escada feito bicho preguiça e ali fiquei 5, 10... 15 minutos! Quando cansava colocava o pé no chão e pimba, lá vinha aquela pontada na base da coluna me transformando de novo em bicho preguiça. Os braços começaram a doer também...30... 45 minutos... um tempo inteiro de futebol para aquela alma abençoada e miserável atravessar a cidade.
O pior de tudo é que o juiz de futebol de plantão, ainda deu 5 minutos de acréscimo por eu caminhar fazendo cera do carro até em casa. Foram 50 minutos até ela chegar e me ajudar. Disse que tinha se atrasado um pouco porque o síndico quis conversar com ela no elevador sobre o uso indevido das garagens... a garagem dela!
- Miserável... só pensei, misturando raiva e dor!
Prestativa, ela discou 0800 pra o Plano de Saúde, depois para o médico, que indicou uma clínica de plantão... Depois de alguns não atendemos o seu plano, ela pronunciou as palavras mágicas:
-É uma emergência!
-Então pode vir... diga para ele tomar antes algum analgésico...
Ouvi aquela fala abençoada do outro lado da linha, ainda dependurado como preguiça na escada da sala. Tomei o analgésico disponível, um em gotas, infantil, dos meus netos, esquecido em minha casa por algum filho.
Tomei o analgésico em overdose, no gargalo mesmo, respirei fundo e comecei o martírio de volta para a garagem, agora com uma muleta abençoada debaixo da axila dierita, que nesta altura do campeonato era uma mistura de catinga do suor frio com o grude branco do talco desodorante power dry...
Consegui entrar no carro com malabarismos dignos do Circo de Soleil.
Ela foi dirigindo é claro! Fomos até uma belíssima clínica no Batel. Não atendiam o meu plano de saúde, se quisesse particular tinha que deixar um depósito de R$3.000,00. Cem vezes mais o preço da Dida, xinguei barato a cara clínica, que queria me cobrar o olho da cara para tratar a dor próxima do outro olho e entendi porque tanta gente procurava massagista ao invés de médicos ortopedistas.
Felizmente, depois de algum regateio, já que minha benfeitora entendia de Planos de Saúde, fui atendido, por se tratar de uma EMERGÊNCIA:
- Achei o convênio... emergência pode! Falou a atendente convencida de que não iríamos embora.
Depois disto: sala de DESESPERA por mais 45 minutos, um segundo tempo de futebol!Para me confortar diziam:
- São emergências mais emergentes que as suas!
Mais suor frio e enfim o consultório, lembrei de meu Pai que era médico, ele não deixaria alguém sofrendo assim na sala de espera dele. Rápido contei para o médico ortopdista de plantão a minha história e ele em tom jocoso falou:
- Mais uma vítima destas massagistas, depois Vocês vem aqui chorando...
Não achei graça no comentário e ele logo completou:
-Tem que tirar a roupa, vamos tirar uma chapa.
-Meu chapa, não dá só para dar uns remedinhos? Tentei dissuadi-lo da empreita não desejada.
-Não dá não, está nos procedimentos para o diagnóstico de emergência, coloque este avental.
Minha bela salvadora ajudou-me a tirar as calças, a camisa e colocar o ridículo avental verde, aquele que deixa ao ar livre as partes que gostaríamos de proteger mais: a base das costas, ou melhor, o início da bunda mesmo... nem senti vergonha, tamanha as dores que estava sentindo.
Depois do Raio X e uma rápida análise no meu estado estatístico, ou melhor de estátua, e o médico receitou: 20 sessões de fisioterapia, 10 de acupuntura, 2 remédios anti-inflamatórios e um analgésico mais forte.
-Você terá que ficar de molho por uns dias, só pode sair para a fisioterapia.
-E o boteco?
- Nem pensar, a bebida corta o efeito destes remédios! E lembre-se primeiro o médico ortopedista, depois o fisioterapeuta e em último caso, em último caso mesmo, uma massagista.
Foram duras as semanas seguintes, 3 vezes por semana na fisioterapia. No começo a corrente russa no ciático me fizeram crer que eles, os russos, sabiam torturar muito bem. Depois as acupunturas, o medo de ser espetado. Recebia agulhas até na cabeça, no fim das 10 sessões já estava acostumado com as agulhas, já conseguia relaxar e dormir nas sessões.
Passada a regeneração ciática, já em boa forma física e um pouco mais magro, voltei a trabalho e ao boteco.
No trabalho agradeci aos céus por terem mudado a professora de Laboral, voltaram com um bunda-mole que não cobrava muito nos exercício e só fazia alongamentos tranquilos.
No boteco contei minha saga para os amigos atenciosos, que me fizeram lembrar o que havia dito o consultor Anísio:
-Não se pode colocar o Dida na frente do time...Tudo tem uma ordem: Dida no gol, Cafu na defesa e o Cacá na frente... não se deve inverter.
Meio vexado, só pude falar:
-É, parece que o lazarento do Anísio estava de novo com muita razão! Cada um tem seu lugar no futebol e nos tratamentos. Primeiro é o ortopedista, depois o fisioterapeuta e por último a massagista, senão é CACA...CAFU... DIDA!
Todos riram. Levei um tempo para entender e rir do inesperado trocadilho que sem querer eu tinha feito:
-Senão é CACACA FUDIDA!
sexta-feira, 16 de outubro de 2009
Não se Meta com as de Quatorze!
Estava na hora mesmo do Magrão se aposentar. Contou os anos, os meses, os dias até as últimas horas. Chega de Ordens de Serviços, chega de dizer verdades aos chefes, chega de chiado de rádio VHF... xxx copia xxx... de escutar a lenga-lenga de consumidores, que sem ter o que fazer, íam conversar com ele na Agência Bacacheri.
Agora era tempo de folgar para sempre de colocar em prática o seu querer. Pescar! Na hora que quisesse. Ir no boteco! Na hora que quisesse. Cuidar da chacrinha com vontade, fazer chacrinha em dia útil, mesmo sem vontade. Cantar como quisesse e de tarde, no karaokê do boteco, livre das filas de noturnos cantores improvisados.
Quando recebeu a bolada de incentivo que a empresa lhe deu para aposentar foi comprar uma camioneta novinha, um querer antigo, uma Totóia preta, uma jóia negra, como tinha feito o Alemão, seu antigo chefe.
Saiu cedinho de casa e estava parado no sinaleiro da Rua Tefé quando viu aquele sapato branco bonito, lustroso, atravessando com seu brilho o parabrisa e sua retina... era o sapato que ele sempre sonhara!
-Eu quero! Pensou alto, com seus botões da camisa desabotoados no peito cheio de "quereres"!
Imagine só... ele num daqueles bailes com música de problema, com seu sapato branco brilhando na luz negra, de fazer inveja aos malandros da Vila Pinto. Ao seu lado, uma viçosa acompanhando com seu saltinho 14, os passos maneiros num rala cocha daqueles, numa música daquelas...-quem não quer uma coisa destas?
Quase não parou o carro, desceu correndo e perguntou se tinham o número 42.
-Infelizmente, respondeu uma mocinha que parecia ter uns quatorze aninhos, só temos um quarenta e um.
-Deixa eu ver...
Ficou acompanhando a mini saia manhosa da guria subir a escada para pegar o reluzente alvo “alvo” na vitrine. Afastou os maus pensamentos quando lembrou da frase que tinha ouvido do barbeiro:
“-Não se meta com as de quatorze!” ...
Deu risada sozinho, imaginando o sufoco do barbeiro fugindo de Nova Divinópolis, perseguido pela polícia que queria que ele casasse com a namoradinha de quatorze que dizia estar grávida dele... Depois de muito sufoco, alguns dias de cana e outros em cana, o barbeiro conseguiu provar que o filho não era dele, claro que antes disto ele teve que vender a moto e a barbearia, e dar todo dinheiro para ela, por isto:
“-Não se meta com as de quatorze!”
A mocinha lhe entregou os sapatos brancos...
Espreme o pé daqui, afroxa o cadarço ali, tira a meia e pronto... conseguiu enfiar o sapato nos pés.
No espelho inclinado da loja, ela viu no rosto do Magrão aquele sorriso de piá pançudo comendo cocada antes do almoço! No mesmo espelho ele olhava disfarçado um bom pedaço daquelas cochas brancas... Pensou: aí meu verdãoeôoÔ! Um século de Time! Será que ela é cocha-branca?
-Quanto é? Disse rápido afastando do pensamento mais um:
“-Não se meta com as de quatorze!”
-Cento e noventa e seis reais, mas dá para fazer em vezes... 14 vezes de 14...
-É muito! 41 não é o meu número, além disto é 14 ao contrário, é muito 14 pro meu gosto.
Ela não entendeu muito aquilo que ele estava falando...
-Você é numerólogo? Entende destas coisas?
-Não, não, não, só pensei alto sobre as 14 prestações de 14.
-Se quiser colocamos numa forma e em 2 semanas ele fica bom.
-Pago 3 oncinhas!
-O que?
-Cento e cinquenta no cacau!
-Vou falar com a chefia...
Quando voltou ela veio em sorriso de todos os dentes.
-Feito! Quer que embrulhe ou vai mandar por na forma?
-Nada disto, vou amaciá-lo no pé, 14 dias é muito tempo. Você tem pantuflas?
-Tenho, aquela alí oh! Amarela...
-De pé de Piu-piu, não tem outra?
-Tem a cor de rosa da Pantera Cor de Rosa.
-Não, não... quanto a de Piu-piu
-Custa 14 reais...
-Eu quero, vou levar!
Enfiou a sacola com o sapato velho e a pantufla no carro e foi para a agência de automóveis, pensando no que ele não iria mais fazer: levantar cedo, trabalhar, ouvir reclamações de corte de luz.
Já tinha acertado o preço na concessionária, entrou com seu reluzente sapato, todos olhavam para aquele branco total irradiante caminhando em direção a camioneta preta, lindinha de tudo, com cheirinho de couro novo, 4 por 4, automática, sem IPI.
Preencheu o maior cheque da vida dele e deu para a vendedora japonesa que era também uma belezinha, um tchuchuco de mulher, bem feitinha, um primor!
-Você conseguiu a placa que eu quero?
-Sim, uma AIM 1414 ou uma AIM 1915.
-Quero a 1915. Ainda bem que a camioneta não é aro 14.
-Se Você quiser, pode ver a seção de acesórios... dá para colocar aro 20!
-Não, eu quero ela assim mesmo como ela está, "tá de lei"! Pode mandar emplacar e por no seguro?
-Vai demorar um pouco.
-Eu espero, só tenho compromisso de tardezinha no boteco.
Já tinha fumado mais de 14 cigarros no lado de fora da concessionária, quando a japonezinha avisou que a vistoria só sería feita às 14 horas. Pra matar o tempo ele foi no Shopping. Caminhou por todas as lojas: um pirilampo com seu sapato branco... que nesta altura já latejava do minguinho ao calcanhar.
Comeu duas empadas pensando na costela que devia estar sendo assada no boteco. Todo mundo olhava para ele... de sapato branco, imagine quando o virem de totóia preta, quem pode se aguentar com isto?
Viu um carro da empresa passar e instintivamente abanou com a mão. 34 anos 3 meses e 14 dias de empresa... uma vida de dedicação e muita história. Agora não era mais hora de pensar nisto...
Voltou para a concessionária no horário marcado, os pés já estavam amortecidos de tanto caminhar no Shopping.
-Os peritos já vão chegar!
-Não chegaram ainda?
-Não, mas vão chegar...
Espera daqui, dali, mais 14 cigarros e 14 minutos antes de fechar a concessionária o carro ficou pronto. Entregou as chaves e o documento do carro velho, que agora parecia mais velho e feio, pulou para cima da camionete preta com seu sapato branco e se mandou para o boteco.
Uma quadra antes já estava buzinando, fazendo aquela algazarra de piá de prédio quando ganha uma bicicleta e vai andar com ela sozinho na pracinha da esquina.
O pessoal já estava animado, a salineira pela metade da garrafa e o aperitivo de lingüiça servido.
-Venham ver a belezinha!
Todos sairam, foi quando o Batuta começou a dar aquela risada de gato de madame após comer o passarinho da gaiola do vizinho...
-Que foi galo índio?
-Por que Você está andando deste jeito, feito uma gazela manca em campo de urtiga, com este sapato branco?
-Eu que quiz!Ele é novinho, foi prá combinar com a tétéia preta da totóia, tá só um pouco apertado.
-Olha lá a placa! Tem as iniciais do teu nome!
-É! Tem mesmo! Eu que quiz!
-Que legal! E é o ano do teu nascimento...
O Magrão faltou pular no pescoço do Batuta, que lépido, entrou na pretinha e disse:
-Quero dar uma volta na totóia...
Orgulhoso, o magrão ligou a bichona, ainda bem que era automática, o pé já estava completamente emprestável, mas ele não ía tirar os sapatos só por isto. Testou a aceleração, foi de 0 à 100 em 14 segundos, macio, macio. Ligou o CD alto só com música de raízes.
Passaram por umas gurias novinhas, uma delas lhe abriu um sorriso largo por debaixo do chapéu de cowboy de borracha. Ele retribuiu satisfeito e quando o Batuta fez umas gracinhas para elas, ele não aguentou e disse:
“-Não se meta com as de quatorze!”
-É mesmo. Não se meta com as de quatorze! Vamos voltar?
Os dois deram risada e voltaram para o boteco, onde terminaram rápido com a salineira, lembrando das pescarias no Mato Grosso.
-Lembra aquela vez que o Magrão caiu da pedra do melhor pesqueiro?
-Caí nada! Eu que quis! Respondeu rápido e já vermelho o Magrão, mantendo, é claro, sua nobre pose de pescador Master Senior Hors Concours.
No final da noite ele não aguentou a dor nos pés, foi no carro e colocou a pantufla.
Uma delícia, parecia que ele respirava pelos pés, quando entrou de novo no bar, agora com amarelo nos pés, antes que o pessoal começasse a rir, ele franziu o senho e falou bem sério:
-Eu que quis! Agora sou um aposentado, posso usar o que quiser, quando quiser, sapato branco e pantufla amarela! Só não posso... é me meter com as de quatorze...
Foram exatos 14 microsegundos de silêncio antes do bar explodir em risos...
Homens... "Ic"...núteis
Outro dia cheguei arrasado no boteco, seco por um gole generoso de uma boa cachaça mineira. Trazia o corpo cansado. Uma sensação de peso de quem não fez absolutamente nada de útil o dia inteiro. O stress compunha seus sintomas em minha pessoa com golpes ríspidos de pincéis de uma Mafaldi em sua “A Louca”.
A testa enrugada como nos anos de miopia, a coluna arqueada para frente ante o peso de uma responsabilidade invisível insuportável, até meu andar claudicante, fruto de uma astroscopia recente, marcava de modo mais compassado e desajeitado meu ir em frente.
Sem os ombros de um Atlas, o mundo neles caía feito prensa de ferro velho. Precisava urgente de um bom gole de uma salineira, uma boa conversa e, se possível, umas boas risadas para acabar com o mau humor cultivado pela rotina improdutiva do dia.
Por coincidência ou ato divino, acabei encontrando o meu amigo e consultor para assuntos complexos da natureza humana, o velho camarada Anísio Santiago. Após nossos tradicionais cumprimentos, com seus respectivos sinais quase secretos, oriundos de confrarias, priorados e sociedades secretas medievais, ele me falou sorrindo:
-O amigo teve um bom dia?
-Estou me sentindo um inútil! Produzindo gás carbônico para plantas de plástico, como diz o Dilbert.
Respondi queixoso, desejando intimamente falar sobre qualquer coisa que não fosse sobre o meu dia.
-Ótimo! Extraordinário!
Olhei em silêncio o rosto do amigo, tentando nele descobrir a causa do inoportuno elogio. Não havia ironia naquele olhar, nenhuma gozação no canto daquela boca. Olhei bem e só encontrei serenidade.
-Como extraordinário? Sinto-me um ordinário... não fiz nada de útil o dia inteiro!
-Você atingiu hoje o ápice da humanidade!
-Você me surpreende com estes pontos de vista atravessados.
-É simples! O homem é o lobo do homem!
-O que tem o lobo com isto, a não ser o que temos em comum de gostarmos de leitãozinho a pururuca... nada mal um “Bolinha” no rolete...
-Isto sim sería a melhor iguaria para o momento!
-Imagine, o chato do cachaço “Prático” assado num buraco cheio de brasas, temperado com raiz brava e pimenta, até sua carne “fedida” perder por completo o cheiro de sua utilidade produtora e reprodutora.
-É por aí mesmo!
Responde o amigo com aquela calma de quem sorve um dedal de cachaça durante uma tarde inteira sob o Sol do interior de Minas, um pouco antes de um breve silêncio acontecer na mesa, onde pude dar meu primeiro gole numa loira super gelada, que quase congelou minha goela...
-Tenho raiva de “workalchoolic”... “ic”... “ic” ... Chi! Esta palavra até... “ic”... me deu soluço... “ic”... de tipos como o porquinho... “ic” ... “Prático”, que tem resposta pra... “ic” ... tudo, que planeja cada ... “ic” ... detalhe , ... “ic” ... só fazem coisas úteis, ... “ic” ... sem tempo para diversão, ... “ic” ... passam a vida trabalhando... “ic” ...
-O homem vem explorando o homem há milênios. Primeiro como escravos, animais inteligentes a serviço do seu senhorio. Depois de um modo não tão evidente, como operários chaplinianos em um Mundo Moderno.
-É verd... “ic”... verdade!
-Elaborando um pouco mais esta exploração canibal, os trabalhadores globalizados e os “terceirizados”, que por não fazerem parte da cadeia produtiva direta, subempregam-se para não morrer de fome ante as Reengenharias e Downsizing feitas por consultores apaziguadores da culpas gerenciais.
-É mesmo... “ic”...
-Portanto. Você é um privilegiado em se sentir inútil!
-Pára com “icso”... não me sinto bem como um “ic”...nútil... não sou um privilegiado... “ic”...
-É sim! O grande desafio do homem do terceiro milênio é desenvolver sua humanidade! Quando um homem é medido pela sua utilidade, está sendo tratado como se fosse um objeto, um simples recurso...
- Recurso... “ic”... humano..
- Sim, onde na maioria das vezes ele presta serviço a um fim que se justifica por qualquer meio, inclusive o de deixar sua personalidade, emoções, vontades e desejos de lado para se alinhar às grandes estratégias empresariais.
-Ah! Lá vem Você com o óc... “ic”... , desculpe, o ócio criativo... “ic”...
-Antes disto acontecer, as pessoas precisam tratar as pessoas como pessoas, só assim poderão ter a liberdade de criar. A criatividade é o grande diferencial do gênero humano! Tarefas repetitivas podem ser automatizadas e só causam lesão ao invés de tesão.
-Hoje estou me sentindo um autômato... “ic”... meu piloto automático foi ligado com o despertador e só agora está tirando uma folgui... “ic”... nha.
-Deixar de ser valorizado pelo que Você faz de útil, para ser valorizado pelo que Você é, é um privilégio, é o ápice das relações interpessoais. Imagine o que é ser reconhecido pelo que Você é, e não pelo que tem ou faz!
-Cara... “ic”...! Fala sério... “ic”...passei o dia inteiro me mantendo sério! ... “ic”...trabalhando, produzindo... “ic”... valor agregado, pensando ... “ic”... no cliente, responsabili... “ic”... social, sustentabilidade, criando alguma ... “ic”... utilidade...
-Desejo a Você que Você se sinta cada vez menos útil e se sinta cada vez mais Pessoa!
-Então... “ic”... vamos comemorar!
-Um viva aos homens "Ic"núteis!
-Vi... “ic”...va!
-Viva!
quinta-feira, 15 de outubro de 2009
Tão boa que ninguém gosta...
-Tem coisa que fica tão boa que ninguém gosta...
-O que? Esta eu não entendi, Dr. Anísio Santiago, por favor, explique-me melhor.
-Falo daquilo que ainda não se desenvolveu o gosto. Da capacidade em sentir coisas que de tão refinadas, não fazem sentido aos nossos grotescos sentidos. Como uma música que, de tão elaborada, requer ouvidos atentos a uma harmonia mais complexa.
-Já sei! Situações do tipo: “o sabor requintado de uma cozinha japonesa caindo na língua de quem foi criado a torresmo e rapadura...”
-Tem coisas que de tão boas ninguém mais gosta e outras que de tão gostosas ainda ninguém gosta... Ouça uma música contemporânea do Chico Buarque. Talvez Você ainda prefira o Chico dos velhos tempos da Ditadura. Quando com muito esforço Você tinha que decifrar nas entrelinhas o que os comunistas de plantão entendiam que ele teria dito de forma tão clara e inequívoca sobre o governo vigente...
-Prá ver a banda passar cantando coisas de amor...
-Você não é mais assim? Você melhorou? Seu ouvido está mais afinado e consegue ouvir música no livro do Chico “Budapest” ou nas falas do seu personagem Benjamin Zambraia?
-Hanham!
-Que bom! Mas tem muita gente que já não o entende, como não entenderam Galileo, Da Vinci, Van Gogh e outros em sua época. Alguns artistas e cientista anteciparam ou ultrapassaram seu tempo, de tal modo que o que criaram só serviu para degustação própria...
-Para masturbação dos seus neurônios precocemente desenvolvidos, não vim aqui neste Bar falar de ciência, de arte. Vim falar de mulher, mulher bonita, gostosa!
- Ponto pros meninos!
- Tem sempre uma viçosa nesta sua imaginação...
- Quantas vezes Você já se encontrou na vida com uma mulher perfeita, como esta que está nas páginas centrais da Play Boy?
- Não me lembro, só no Sambódromo, quando saí na União da Ilha do Governador.
- Hoje em dia, as mais belas mulheres viram fantasias de páginas centrais de revistas masculinas, cinema e televisão, tão distante que sua beleza não pode mais ser naturalmente partilhada, só percebidas na tela fria de tantas mídias que nos ilham e nos iludem pelos recursos do Photoshop capazes de mudar os recursos naturais de qualquer jogadora de basquete.
-Não acabe com as minhas fantasias!
-Tirando de lado a sua fantasia de macho comedor, caindo bem na real...Você namoraria a Melancia?
- Você viu aquele celim entrando melancia a dentro?
- Aquele sim é um mau celim...
- Que tal Você marido de uma Dévora Seco?
-Loucura, loucura total!
-Imagine Você passeando de mãos dadas com a mais gostosa do Brasil na Praia de Guaratuba! Ela do seu lado, esplendorosa, com um biquíni de fazer inveja a qualquer micropedacinho de fita dental.
-Não parece ruim. Aqueles dois “epetáculos” naturais... dois balancantes montinhos de silicones... uma turbinagem paradisíaca perfeitamente apontada para o céu!
-Maravilhoso!
-Depois que Vocês passam, os olhares “testosterônicos” ficam hipnotizados pelo vai-e-vem daqueles quadris fantásticos, que sincronizam os desejos de todos os machos da praia, encantados por tamanha graça de “unanimidade nacional”.
-Isto é muito bom!
-E Você ali caminhando ao lado dela, com passo firme, nem se importando para os babões que sentados com suas roliças matronas, olham para Vocês através dos óculos imitação de rayban com muita inveja, enquanto esquentam suas “skins”.
- Experimenta, experimenta... é o conselho do Piquezão.
- Você pensa com seus calções: este povão babão não saberia sorver aquela mulher. Na certa a devorariam entre arrotos, elogios chulos e até teriam ejaculação precoce ao vela sair nuinha do banheiro para o quarto.
-Que desperdício!!!
-Você não, já ultrapassou a fase dos que gozam mais na própria cueca quando contam aos amigos do bar, do que na hora da própria a trepada sensacional.
- Isto foi denso!!!
-Você é sofisticado! Sabe preparar e sorver o prato, com antepasto light ao invés do tira-gosto de calabresa, já trocou a cerveja pelo champanhe, prefere massagear os pés dela e não ir direto ao fruto proibido. Sabe, sem tocar, umedecer todas as partes cobiçadas, mesmo com a boca seca de tanta vontade!
- Você está me deixando tenso!
- Você é o mago! Ela sabe disso! E Você ainda nem mostrou a sua varinha mágica, que só aparecerá no momento exato em que ela se transformar na mais carente putinha do porto, rogando por tua presença troglodita dentro dela, pedindo para que a coma de quatro, que a chame de vagabundinha, que lhe bata na maravilhosa bundinha, que agarre seus cabelos, que pegue em seus peitos como um soldado de volta da guerra, que lhe coma como aqueles homens da praia a comiam com os olhos...
-Espera aí! "Num tô aguentando", vou ligar para a Regislaine.
- E Você ali firme, espingarda engatilhada, alvo na mira, sofisticado, fino, buscando no seu inconsciente sua canalhice natural, tornando-se um cachorro vira-lata, um safado garanhão sem pedigree... e assim, sem perder o controle de sua ausência de nobreza, a faz subir nas paredes uma, duas, três vezes...
- Para com isto que eu estou molhando minha cueca aqui no Bar.
- Depois a faz descer ao fundo escuro do poço dos prazeres, transformando o prazer dela em dor, e depois a dor em prazer, até que ela, exausta e completamente satisfeita, colhe tuas sementes brancas e adormeça feliz por ter quebrado tua espada de homem, agora transformada em um canivetinho suíço de “um e nonventa e nove”, que você esconde entre os lençóis, enquanto se aninha com ela em concha, deixando seu nariz coberto pelas penugens macias que ela tem atrás das perfumadas orelhas.
- Eta coversinha lazarenta de boa!
-Os simples mortais não sabem saborear as delícias mais gostosas, as achariam amargas de tão doce, instantâneas de tão eternas, cansativas de tão belas, estranhas por tanto refinamento.
-Fariam caipirinha com “HAVANA”...
-Sangria com Mouton Rothschild!
-Criticaríam o ronco de uma Ferrari!
-Não entederiam os defeitos imprevisíveis de uma Harley!
-Misturariam um sashimi amarelinho de tucunaré com um pedaço vermelho e sangrento de alcatra!
-Você faria diferente! Afinal Você agora já sabe que há coisa que de tão boa ninguém gosta como deveria... Ou que de tão boa ainda será preciso aprender a gostar... e a ga$tar!
-Agora entendi, deixa eu ligar para a Regislaine... ela é muito boa e o Zé Ninguém aqui gosta!
MANHAS & ARTES DE COMER CARANGUEJOS
Chega final de ano, festas natalinas, verão, comemorações de todos os modos!
Uma comemoração natural, porém, muito especial é a que ocorre nos manguezais do litoral Paranaense: à corrida dos caranguejos que acontece nas duas últimas Luas Cheias da primavera.
Milhares de caranguejos saem de suas tocas diretamente para as bocas famintas de freqüentadores dos melhores botecos da capital. É um festival de marteladas, chupação de patas peludas, cortes pequenos nos dedos e um arreganhar de entranhas de fazer inveja a qualquer troglodita faminto diante de sua caça recém abatida.
A meleca é geral, desde a retirada do caranguejo de sua melequenta toca, até ser devorado como uma das melhores iguarias... realmente, a meleca é geral!
Dizem que este ritual é mais que centenário, vem dos tempos em que os caiçaras começaram a se espalhar serra a cima, antes mesmo da emancipação do Estado do Paraná, influenciando nos costumes e política da região.
Disto surgiu à lenda urbana de que os políticos locais têm costumes de caranguejos: só aparecem uma vez por ano e não deixam que os outros se sobressaiam, puxando-os de volta para dentro do balaio onde permanecerão presos... se é que políticos ficam presos!
Um bom caranguejo é limpo ainda vivo e ainda vivo é colocado na panela, onde é imolado com água e sal, quando muito, podem ser untados com outros temperos mais fortes a gosto do freguês, mas a base é água e sal.
Para comê-los é preciso de muitas artes & manhas, ou será manhas primeiro e depois arte? Em todos os casos necessita-se de muita paciência mesmo: pata a pata, falange por falange... tem umas caverninhas no abdômen, que também é sua cabeça, que escondem verdadeiras minas de carne branca.
Quando os caranguejos são servidos inteiros, a gordurinha que sobra em sua casca pode ser misturada a uma branquinha farinha de mandioca de Guaraqueçaba, feijão fresco cozido em panela de ferro, vinagrete de tomate quase maduro e pimenta a gosto. Uma delícia!
A única coisa que não se pode ter é pressa, ainda mais quando do seu lado está um super devorador de caranguejos como meu amigo mineiro, cujo codinome é Almirante. Fato estranho, pois Minas não tem mar e nem caranguejos! Mas é isto mesmo, ele é um mineiro "lazarento de bão", tem porte de Almirante e adora caranguejos!
Ele é capaz de traçar mais de 12 caranguejos por hora, em uma velocidade de fazer inveja a qualquer debulhador de milho turbinado a querosene de avião. Isto regado, é claro, com uma cerveja Original e uma dose farta de cachaça salineira, das boas, de preferência uma Anisio Santiago Lote 4!
Em segundos os pedaços de cascas vão se acumulando no balde, enquanto os nacos da deliciosa carne descem goela abaixo do mineirinho boa praça.
Ele tem vários truques para ser tão eficaz, alguns vêm dos tempos que aprendeu karatê lá pelas bandas do sul de Minas. Uma porrada bem dada no lugar certo e a pata solta a carne inteira, sem nenhum amassadinho, parece até que fez curso para “martelinho de ouro”.
Depois as peludas patas passam pelo vasto e peludo bigode e são mordidas rapidamente!
O trabalho para transformar o bicho em octaplégico é quase que instantâneo.
De tão rápido, parece que o processo é totalmente automatizado:
As cascas finas que escapam aos dedos, ficam de um lado da bochecha, a cachaça ou a cerveja de baixo da língua e a carne branca do outro lado e assim em poucos golpes e de um só gole, somem os peludos membros do crustáceo, enquanto os restos de pequenas lascas e cascas são expulsos da boca em direção ao chão.
Mas a luta não para por aí, rapidamente os dedos arregaçam o corpo do caranguejo e todas as microcavernas cedem lugar a um tremendo vazio após uma supersucção tipo rotorooter.
Pronto, foi-se o primeiro caranguejo! Tão rápido, que no tempo de se chegar ao final da leitura desta frase, provavelmente o segundo já tenha sido devorado e o terceiro escolhido com o canto do olho.
Atenção, muito cuidado nesta hora para não atacar o caranguejo eleito por ele! Ou ouvirá um grunhido abafado e retumbante, de felino dos grandes, controlando território...
Sem perder o ritmo do teu próprio trabalho, aproveite para ver a arte com que o mineirinho devora os caranguejos!
Conforme orientações do nosso consultor Anisio sobre situações complicada, de muita tensão:
"-Vá devagar ao pote!"
Fique sempre olhando se ele está aquiescendo sua investida ao pote de carangueijos. Se houver um rosnar parecido com o de um leão ao acordar com fome... dê um jeito na sua mão, disfarce e pegue a garrafa de cerveja que estrategicamente deve ficar sempre ao lado do cobiçado pote e, polidamente, sirva para ele uma bem gelada e grite:
-Viva!
Automaticamente Você ouvirá um VIVA ecoando em todo boteco!
Assim sua intenção será perdoada e Você poderá continuar se alimentando, à moda baiana com todo tempo do mundo e muita manha.
Para matar o tempo, chupe umas 3 vezes a mesma pata peluda, pegue um palitinho e tire as micro carnes dos liliputianos caranguejos que ele despreza.
Felizmente ele para de vez em quando para puxar um palheiro, aí você pode tentar sacar da travessa um caranguejo que tenha patas maiores ou que tenha pelo menos todas as patas, normalmente quando o mineirinho para, só sobram os pesos penas.
Nestes momentos, se Você ficar atento, pode aprender um estranho segredo que só os pupilos do Consultor Anisio Santiago sabem: limpar as mãos com cerveja!
Parece nojento, melequento e estranho, mas funciona, a cerveja limpa suas mãos das melecas caranguejeiras e outras gorduras mineiras com a excelência dos melhores “limpóis”.
O importante é não desistir, continuar na sua, comendo com manha os miúdos caranguejos.
Preste atenção quando ele começar a contar as histórias de suas coleções: moedas, cédulas, relógios, canetas... significa que ele está ficando quase satisfeito, quando passar para as histórias de sua terra natal pode aumentar o seu ritmo de acesso ao caranguejódromo, nesta altura Você já pode ir atacando os médios.
No momento que ele contar a história do Nega Véia, aproveite-se da situação e peça uma nova rodada só com caranguejos que lutam no ultimate fighting, chame o garçom e reclame:
- “Nada de pequenos tetraplégicos caranguejos que vieram até agora, quero uma cesta cheia daqueles que têm patolas que fazem inveja ao Minotauro”.
Aí meu amigo está na tua hora e é também a hora em que ele sente falta de um doce, peça uns oito Eskibons! Sim, aqueles da caixinha azul, tão tradicional como a caixa de maisena. Deixe os sorvetes ali na mesa... distraídos... Você vai ver que distraidamente, eles vão sumir e não vai ser por que derreteram.
Então com toda tranqüilidade do mundo, peça um outro prato, um pano de prato limpo e comece a desenvolver a sua própria arte em devorar os patoludos, sem receio dele te olhar com aquele olhar de Pitbull de vizinho lutador de jiu-jitsu.
Não ligue se na hora de pagar a conta, ele quiser pagá-la integralmente, faz parte da hospitalidade mineira e ele gosta de ter a fama de ser o maior predador de caranguejos de Santa Quitéria. Você terá oportunidade de retribuir a gentileza em um outro momento.
Seguindo a receita acima, Você aprenderá com rapidez a comer caranguejos com manha & arte, mesmo diante de um devorador compulsivo como o Almirante, consciente de que apesar de não ser mineiro, neste caso é Você que deve ser “o maior come quieto”, pelo menos de caranguejos!
quarta-feira, 7 de outubro de 2009
Algo Muito Legal de Normal!
-Hoje quero desejar que algo muito legal de normal aconteça com todos!
-Você está me desejando que algo muito legal de normal me aconteça, não tinha coisa melhor para me desejar? Embasou a conversa Antônio Antão, com sua voz de imperador tentando incendiar nossa pequenina mesa Roma.
-Teu médico deve ter tido contágio com o pessoal que acredita que o mundo atual sofra de “normose”... respondeu calmamente nosso consultor.
-Normose? Que é isto? Aquela curva de estatística... uma jibóia que comeu uma abóbora e fica com aquela forma de chapéu de Pancho Villa, onde quase tudo no mundo pode ser representado...
-É por aí mesmo, normose é uma inflamação do normal, uma lesão terrível de quem, por esforço repetitivo, está sempre na norma, no padrão, no mesmo modelo mental, custe o que custar.
-Um tipo especial de Lesão de Esforço Repetitivo mental ou um padrão exemplar de conduta? Questionou em voz alta nosso Almirante.
-Os dois juntos e mais um pouco. Esta doença dá em pessoas que se impõem uma conduta inflexível, que não admite a mudança, de tão normais viram normóticos.
-Já sei! Aqueles sujeitos que participam das Comissões de Estudos da ABNT para elaborar os requisitos técnicos de recomendações de especificações de tampa de transformadores a base de SF6 de Subestações de 750Kv, sujeitas a variações climáticas tropicais... Lecionou rápido Mr. Antony Peter.
-Agora você foi fundo. Menos do que isto, isto já é um ofício de especialista, sujeitos que sabem quase tudo de quase nada, fazem parte do efeito Big Tail, estão no rabo da saia da curva normal das condutas normais.
-Ao filho cabia a profissão do pai, que herdara isto do avô. Uma vez aristocrata, sempre aristocrata, uma vez ferreiro, sempre ferreiro, não havia escolha e isto se impregnava até nos sobrenomes: Ferreiro, Carpinteiro, Machado, etc...
-Ainda existem requisitos disto nas chamadas empresas familiares, facilmente observadas em propagandas do tipo “De pai para filho desde 1836...”
-De um certo modo, a ousadia ainda é considerada como influência maliciosa do anjo decaído! Se aceita vai dar em porcaria sulfúrica! Fazendo sempre igual não se corre o risco de ser mal interpretado, “excomungado” e perder para sempre as delícias normais do paraíso familiar, escolar ou organizacional...
-Fazer sempre igual recebeu nos últimos tempos um reforço dos que interpretaram “Padronização dos Processos” como o único um modo de controlar pessoas e levá-las ao bom desempenho.
-E é isto mesmo, só leva a um bom desempenho, ou a um desempenho normal, aceito e esperado nos planos, fica tudo sob controle e o poder continua sendo exercido da mesma forma que no início do milênio, mais elaborado é claro.
-Então Você concorda comigo que o normal não é o que é mais importante para o ser humano, que o extraordinário, o salto quântico, as inovações é que valem a pena em um mundo tão igual!
-Concordo mais ou menos, o que estou dizendo, enfatizou o consultor é que esta crença de que o normal é ser igual, fazer a mesma coisa sempre, não ousar, expulsou as grandes idéias do âmbito da normalidade.
-Galileu teve que se retratar... e no entanto, as estrelas continuavam normalmente se movendo...
-Assim como na renascença, é hora de renascer a normalidade criativa do homem, de desenvolver sua capacidade de fazer diferente e até de fazer igual, se assim for sua escolha consciente.
-Isto me faz lembrar de uma autora, que não me lembro o nome, que disse que a felicidade não é algo extraordinário, pois se assim fosse ficaríamos tão ansiosos e extasiados que não seríamos felizes com ela. Para ela, felicidade seria algo normal que entra na nossa vida e só se dá valor algum tempo depois. Alguém sabe de quem é esta frase?
